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Insatisfeito, Jaime Melo abandona o Internacional de Fórmula 3000

 FIA Formula 3000 International Championship

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Piloto paranaense anuncia sua desistência de disputar as três últimas etapas deste ano, agradece oportunidade da Durango e estuda opções para 2002

Depois de protelar a decisão por várias corridas, Jaime Martins de Melo Júnior confirmou nesta terça-feira (14) a decisão que definiu como mais difícil de sua carreira no automobilismo: a de abandonar o Campeonato Internacional de Fórmula 3000, último passo na trajetória de todo piloto determinado a chegar à Fórmula 1. O piloto confirmou sua saída da categoria pela manhã em sua cidade natal, Cascavel, no Oeste do Paraná.

A insatisfação com as condições técnicas de que dispunha foi o fator de peso maior na decisão de Melo Júnior, comunicada oficialmente ainda pela manhã ao dirigente italiano Ivone Pinton, proprietário da Durango Team, equipe defendida pelo piloto nesta temporada. “Eu não estava me sentido à vontade na categoria, e nem tinha como, disputando as últimas colocações nas corridas. A decisão de sair foi adiada muitas vezes, e agora é definitiva”, assegura.

O piloto explica que um dos grandes problemas era a inexistência de um set up básico. “Enquanto outras equipes vinham com um carro mais ou menos acertado, na dependência apenas da adaptação às condições da pista, nós tínhamos que começar da estaca zero a cada fim de semana de corrida. Eram só dois treinos de 45 minutos para providenciar todo o trabalho de acerto do carro e tentar uma boa colocação no grid, uma situação difícil”, descreve.

Jaime chegou a enfrentar divergências com os membros do staff técnico da Team Durango quanto ao acerto do carro. “Eu tinha uma opinião a respeito do caminho a ser seguido, mas os caras geralmente discordavam. Isso contribuiu, em grande parte, para a falta de resultados que enfrentamos nessa temporada. Cada vez que eu tentava deixar a equipe, surgia uma nova esperança, daqui ou dali, e tudo continuava como antes”, ele conta.

O piloto lembra que a equipe ganhou uma injeção de ânimo com os bons tempos nos treinos feitos em Snetterton. “Aí, surgiu a possibilidade de termos um novo engenheiro, o que acabou não acontecendo”, diz. A dificuldade na vinda de um engenheiro especializado deveu-se, também, ao fato de 2001 ser o último ano de uso dos chassis T99 da Lola, que estão no limite de seu desenvolvimento. “O pessoal prefere esperar o novo carro, em 2002”, cita.

A ausência da Durango Team na temporada 2000 da categoria, segundo Melo Júnior, foi outra dificuldade enfrentada na atual temporada. “A F-3000 é uma categoria muito competitiva, em que as coisas são definidas a partir de pequenos detalhes. Nesse ano em que ficou longe da competição, a Durango acabou vítima de uma defasagem técnica muito grande em relação às outras equipes, isso pôde ser visto a partir dos nossos resultados”, analisa.

A TRAJETÓRIA

O recomeço da trajetória da Durango Team na F-3000 internacional foi promissor. Jaime conquistou a pole-position na etapa de abertura do campeonato, em Interlagos, e terminou corrida em segundo lugar. O resultado, no entanto, foi circunstancial. “Nos treinos, me determinei a uma volta na base da loucura, ou fazia a pole ou rodava na pista, e felizmente deu certo. Não foi um resultado que refletisse o potencial real da equipe”, lembra.

Ele exemplifica essa situação citando o treino classificatório para a última prova, na pista alemã de Hockenheim. “Fui para a pista exatamente com o mesmo pensamento, mas rodei, fui ajudado pelos fiscais e ainda acabei penalizado”, recorda. “Além do mais, em Interlagos, eu tinha a vantagem de conhecer a pista, onde já havia vencido duas vezes na Fórmula 3 sul-americana e estabelecido o recorde da categoria”, acrescenta.

Ele traça um comparativo entre as duas temporadas que cumpriu na categoria para justificar sua decisão. “No ano passado, estreei na categoria pela Petrobras Junior, sem conhecer nenhuma pista e com poucas referências do carro e, ainda assim, sempre estava entre os 10, 12 primeiros. Em 2001, pela lógica, eu deveria estar no pelotão da frente disputando vitórias, e não é isso que tem acontecido nas últimas corridas”, argumenta.

O episódio em Hockenheim foi a gota d’água. “Voltei da Alemanha com a decisão de interromper minha participação na temporada de 2001 bastante amadurecida”, conta Melo Júnior. No Brasil, discutiu a situação com sua família e com as empresas que o patrocinam, Drugovich, Vipal e Bombas Leão. “Acho que foi uma decisão acertada. Não vou disputar as três últimas corridas do ano, é verdade, mas estou pensando no meu futuro”.

Melo Júnior garante não ter nenhuma mágoa da equipe. “Pelo contrário, tenho é que agradecer a todos pela oportunidade que me foi aberta no início do ano e pela confiança no meu trabalho. Eles se esforçaram muito, mas infelizmente os resultados não vieram, não conseguimos a evolução que todos esperavam e isso foi determinante para a nossa decisão. Esse esforço ainda vai levar a Durango a muitas conquista, no futuro”, aposta.

A partir de agora, o piloto passa a analisar as opções que tem para voltar à categoria já no ano que vem. Ele revela que o caminho continua sendo a Fórmula 3000 internacional, de olho no sonho de chegar à Fórmula 1. Ele revela que há algumas sondagens em torno de seu nome. “É cedo para falar nisso, mas dá para apostar que no ano que vem estarei de volta à categoria, disputando vitórias e, quem sabe, o título”, espera.

Assessoria de imprensa do piloto Jaime Melo Júnior
Att. Editoria de Esportes/Automobilismo  14/08/2001
Texto: Luciano Monteiro  Foto: Divulgação
Contato: Clóvis Grelak  (45) 222-5686/9978-9966