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O piloto explica que um dos grandes
problemas era a inexistência de um set up básico. “Enquanto outras equipes
vinham com um carro mais ou menos acertado, na dependência apenas da adaptação
às condições da pista, nós tínhamos que começar da estaca zero a cada fim
de semana de corrida. Eram só dois treinos de 45 minutos para providenciar todo
o trabalho de acerto do carro e tentar uma boa colocação no grid, uma situação
difícil”, descreve.
Jaime chegou a enfrentar divergências com os membros do staff técnico da Team
Durango quanto ao acerto do carro. “Eu tinha uma opinião a respeito do
caminho a ser seguido, mas os caras geralmente discordavam. Isso contribuiu, em
grande parte, para a falta de resultados que enfrentamos nessa temporada. Cada
vez que eu tentava deixar a equipe, surgia uma nova esperança, daqui ou dali, e
tudo continuava como antes”, ele conta.
O piloto lembra que a equipe ganhou uma injeção de ânimo com os bons tempos
nos treinos feitos em Snetterton. “Aí, surgiu a possibilidade de termos um
novo engenheiro, o que acabou não acontecendo”, diz. A dificuldade na vinda
de um engenheiro especializado deveu-se, também, ao fato de 2001 ser o último
ano de uso dos chassis T99 da Lola, que estão no limite de seu desenvolvimento.
“O pessoal prefere esperar o novo carro, em 2002”, cita.
A ausência da Durango Team na temporada 2000 da categoria, segundo Melo Júnior,
foi outra dificuldade enfrentada na atual temporada. “A F-3000 é uma
categoria muito competitiva, em que as coisas são definidas a partir de
pequenos detalhes. Nesse ano em que ficou longe da competição, a Durango
acabou vítima de uma defasagem técnica muito grande em relação às outras
equipes, isso pôde ser visto a partir dos nossos resultados”, analisa.
A TRAJETÓRIA
O recomeço da trajetória da
Durango Team na F-3000 internacional foi promissor. Jaime conquistou a
pole-position na etapa de abertura do campeonato, em Interlagos, e terminou
corrida em segundo lugar. O resultado, no entanto, foi circunstancial. “Nos
treinos, me determinei a uma volta na base da loucura, ou fazia a pole ou rodava
na pista, e felizmente deu certo. Não foi um resultado que refletisse o
potencial real da equipe”, lembra.
Ele exemplifica essa situação citando o treino classificatório para a última
prova, na pista alemã de Hockenheim. “Fui para a pista exatamente com o mesmo
pensamento, mas rodei, fui ajudado pelos fiscais e ainda acabei penalizado”,
recorda. “Além do mais, em Interlagos, eu tinha a vantagem de conhecer a
pista, onde já havia vencido duas vezes na Fórmula 3 sul-americana e
estabelecido o recorde da categoria”, acrescenta.
Ele traça um comparativo entre as duas temporadas que cumpriu na categoria para
justificar sua decisão. “No ano passado, estreei na categoria pela Petrobras
Junior, sem conhecer nenhuma pista e com poucas referências do carro e, ainda
assim, sempre estava entre os 10, 12 primeiros. Em 2001, pela lógica, eu
deveria estar no pelotão da frente disputando vitórias, e não é isso que tem
acontecido nas últimas corridas”, argumenta.
O episódio em Hockenheim foi a gota d’água. “Voltei da Alemanha com a
decisão de interromper minha participação na temporada de 2001 bastante
amadurecida”, conta Melo Júnior. No Brasil, discutiu a situação com sua família
e com as empresas que o patrocinam, Drugovich, Vipal e Bombas Leão. “Acho que
foi uma decisão acertada. Não vou disputar as três últimas corridas do ano,
é verdade, mas estou pensando no meu futuro”.
Melo Júnior garante não ter nenhuma mágoa da equipe. “Pelo contrário,
tenho é que agradecer a todos pela oportunidade que me foi aberta no início do
ano e pela confiança no meu trabalho. Eles se esforçaram muito, mas
infelizmente os resultados não vieram, não conseguimos a evolução que todos
esperavam e isso foi determinante para a nossa decisão. Esse esforço ainda vai
levar a Durango a muitas conquista, no futuro”, aposta.
A partir de agora, o piloto passa a analisar as opções que tem para voltar à
categoria já no ano que vem. Ele revela que o caminho continua sendo a Fórmula
3000 internacional, de olho no sonho de chegar à Fórmula 1. Ele revela que há
algumas sondagens em torno de seu nome. “É cedo para falar nisso, mas dá
para apostar que no ano que vem estarei de volta à categoria, disputando vitórias
e, quem sabe, o título”, espera.
Assessoria de imprensa do piloto Jaime Melo Júnior
Att. Editoria de Esportes/Automobilismo 14/08/2001
Texto: Luciano Monteiro Foto: Divulgação
Contato: Clóvis Grelak (45) 222-5686/9978-9966