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Antonio
Pizzonia e Ricardo Sperafico encerram neste fim-de-semana, em Monza / Itália,
sua participação no Campeonato Internacional de F-3000 de 2001.
E a dupla de brasileiros da Petrobras Junior volta para casa com bons
resultados. Pizzonia, do Amazonas, venceu o GP da Alemanha e ficou em terceiro
no GP da Inglaterra. Está em quinto no campeonato com 22 pontos. Já Sperafico
foi o primeiro na Bélgica e conquistou outros dois terceiros lugares, no GP da
Europa e GP da Alemanha, além de duas pole-positions (Alemanha e Bélgica). O
paranaense é o sexto com 20 pontos.
Contando
com dois pilotos estreantes na categoria, a Petrobras Junior é vice-líder da
competição com 42 pontos, ao lado da Supernova. A Nordic do campeão Justin
Wilson soma 104. O resultado mereceu elogios de Jonathan Williams, filho de
Frank Williams e responsável pela ligação entre Petrobras Junior e Williams
F1.
“Com
o título do Bruno Junqueira em 2000, a atual temporada teve um caráter muito
importante para a Petrobras Junior. Acreditávamos que cada piloto venceria uma
prova este ano, mas os 42 pontos da equipe e o fato de termos pontuado em oito
das 11 corridas até agora supera nossas expectativas. A meu ver, uma equipe
muito boa ajudou dois pilotos excelentes a andar na frente em várias ocasiões”,
diz Jonathan Williams.
Ainda
não há nada definido quanto aos rumos da equipe na temporada 2002.
“Gostaria
que tudo continuasse como está. A continuidade do trabalho nos permitiria
concentrar mais no desenvolvimento do carro. E isso daria a possibilidade de
Pizzonia e Sperafico brigarem pelo título. Não será fácil, mas a equipe
Petrobras Junior ama desafios!”, finaliza.
A seguir, a
entrevista com Antonio Pizzonia e Ricardo Sperafico.
1.
Como você avalia sua primeira temporada na F-3000 Internacional?
Antonio
Pizzonia: Sabia que seria difícil mas eu poderia ter ido um pouco melhor. Dei
azar em algumas corridas, cometi erros em outras. Sem dúvida poderia ter
conquistado mais pontos, os dez da vitória no Brasil e outros tantos em Spa,
onde eu conseguiria pelo menos um podium. Dava para estar em terceiro no
campeonato e com duas vitórias.
Ricardo
Sperafico: Minha temporada foi boa a partir da metade, quando comecei a marcar
pontos com freqüência. Esperava um início de ano melhor. Bati nas quatro
primeiras corridas! Em termos de pontuação, acho que fiz o que queria. Mas na
minha cabeça eu conquistaria os pontos mais distribuídos e com uma freqüência
maior e, para falar a verdade, sem podiums talvez. Duas pole-positions, uma vitória
e um terceiro está bom para começar.
2.
O que você aprendeu na F-3000? Qual foi a maior dificuldade?
AP:
Evoluí tecnicamente e, principalmente, aprendi muita coisa sobre as pistas. E
acho que o desconhecimento dos circuitos foi a principal dificuldade.
RS:
Não senti tanta diferença da F-3000 Internacional para a Italiana, onde
competi em 2000. Foi bom conhecer as pistas. No começo, senti muita dificuldade
em “pegar a mão” do circuito.
3. Com o bom resultado deste ano você se considera
candidato ao título para o ano que vem, caso continue na categoria? A mudança
do chassi nivelará o campeonato?
AP:
Todo mundo vai começar do zero e os pilotos que chegarem estarão no mesmo nível
dos veteranos. Com não é permitido treinar, vai ser uma loucura. Quem começar
o fim-de-semana de corrida com um acerto melhor vai ter vantagem. Não me
colocaria como candidato ao título do ano que vem, não. Ainda não conheço
perfeitamente os traçados. Mas as condições vão estar mais confortáveis
para mim, com certeza. Até porque, um dos problemas desse ano foi o excesso de
confiança que a equipe tinha no acerto dos carros. Foi difícil mostrar que o
que era o melhor na época do Bruno Junqueira, não servia muito bem para mim.
Por isso acho que começar o ano com chassi novo pode ter suas vantagens. Vou
acertar tudo do meu jeito.
RS:
Ano o que vai contar muito é a qualidade dos engenheiros, e nisso as equipes
mais bem estruturadas, como a Petrobras, vão levar vantagem. De modo geral,
acho que o piloto novato vai se dar melhor do que nós porque não terá os vícios
do carro antigo. Mas ainda assim acho que tanto eu como o Pizzonia podemos ter
um bom em 2002.
4. Quais são
os planos para o ano que vem?
AP:
É imprevisível. Não tenho convites para correr na F-1 e não aceitaria correr
por uma equipe pequena, o que já recusei este ano. Já para piloto de testes, há
alguma coisa. Inclusive estou disputando a vaga na Williams com o Ricardo
Sperafico. Automaticamente, o caminho seria permanecer na Petrobras Junior.
Quanto à Cart, não há nada de concreto. Tive algumas conversas mas deixei
claro que a prioridade é a F-1, mesmo que tenha de continuar na F-3000 mais uma
temporada. A F-3000 é um dos passos mais importantes nessa direção. Seria até
uma escola melhor ainda se o regulamento permitisse testes. Pilotos com dois
anos de experiência correm apenas contra quatro ou cinco, e não contra o grid
todo, o que é injusto. Os estreantes não têm a mínima chance de mostrar
capacidade. Mas agora que sofri o pior, deixa o regulamento assim para os outro
sofrerem também.
RS:
Ainda estou conversando em relação à próxima temporada. A tendência é
continuar na F-3000 e a Petrobras Junior tem tudo para ser campeã no ano que
vem. Vamos tentar acertar um pacote forte para todos.
5. Como foi ter o Ricardo Sperafico como companheiro de
equipe?
AP:
Pela primeira vez na minha carreira eu tive um companheiro de equipe brasileiro,
o que foi bem legal. Vai ser muito estranho se eu voltar a correr com um
estrangeiro. Nos damos força o tempo todo e trocamos experiência tanto quando
estamos tranqüilos na frente quanto nos momentos de dificuldade. A gente sempre
procurou aprender um com o outro. Outra vantagem foi o fato de termos formado
uma dupla forte, com pilotos de alto nível. A Nordic foi campeã esse ano
assim. Fiquei mal acostumado com o Ricardo!
6. Como foi ter o Antonio Pizzonia como companheiro de
equipe?
RS:
O Pizzonia foi o melhor companheiro que já tive dentro e fora das pistas.
Quando o Rodrigo, meu irmão, não está, o Pizzonia me faz companhia na
Inglaterra. Além disso, ele é o companheiro tecnicamente mais forte que eu já
tive. Nós dois brigamos para estar na frente e isso nos ajuda a crescer.
Estamos no mesmo nível e querendo que a equipe cresça. Foi o melhor que podia
me acontecer.
7. A equipe Petrobras Junior está em segundo lugar no
campeonato com dois estreantes. Além disso, vocês são os melhores calouros da
competição. É motivo para festa?
AP:
É um resultado realmente muito bom. Mas pensava em ir mais longe
individualmente.
RS:
Isso tudo ajuda a dar moral, ainda mais pelo fato de repetir o resultado que a
equipe conseguiu no ano passado, quando o Bruno Junqueira foi campeão.
8. A Petrobras Junior é a filial da Williams na F-3000. Qual a expectativa em relação ao teste com a Williams em Estoril, de 19 a 21 de setembro, quando você estará concorrendo a uma vaga como piloto de testes da equipe?
AP:
A Williams ajuda bastante no que diz respeito ao suporte técnico. Faz um ano
que não ando de F-1 e terei uma fase de readaptação. Lógico que dá um
friozinho na barriga, mas vou procurar fazer meu máximo. Quem for melhor deve
ficar como piloto de teste.
RS: Teve um período que eu estava indo mal na F-3000 mas tive oportunidade de testar a Williams. Fui desencanando e ganhando confiança. Pensava: “Poxa, estou pilotando uma Williams mas não estou indo bem na F-3000, onde o carro é menos potente. Acho que posso tirar mais do carro na F-3000”. Os testes de reta na França foram como uma bola de neve. Eles gostaram do meu trabalho e fui tendo oportunidades. Agora, em Estoril, vai ser tudo ou nada.
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